Material de Apoio

 Sobre a Gramática
 Morfologia
 Sintaxe
 Fonologia
 Semântica
 Estilística
 Redação

Pratique

 Exercícios Resolvidos
 Provas de Vestibular
 Provas On-line

Ajuda

 Dúvidas Frequentes
 Conjugador de Verbos
 Qual é o Gênero?
 Dicas de Português
 Comunidade
 Fórum de discussão
 Área dos Professores
 Laifis de Português

Entretenimento

 Jogos
 Maltratando a Língua
 Fala Popular
 Qual é a Expressão?
 Expr. Redundantes
 Pérolas Gramaticais
 Trava-Línguas
 Humor na Língua

Produtos/Serviços

 Shopping Líng. Portug.
 Videoaulas em DVD
 Softwares em CD

Diversos

 Portuguesinho
 Português na História
 Português no Mundo
 Formação da Líng. Port.
 Curiosidades
 Estrangeirismos
 Neologismos e Gírias
 Abreviaturas e Siglas
 Expressões Idiomáticas
 Origem das Expressões
 Reforma Ortográfica
 Glossário
 Notícias
 Artigos e Reportagens
 Indicação de Livros
 Fale Conosco

 
Busca Geral

 

Senhor das Letras

Evanildo Bechara tinha 11 anos quando cometeu seu primeiro erro de tradução. Viajando de Pernambuco para o Rio de Janeiro, de navio, o garoto que se tornaria um dos gramáticos mais famosos do Brasil fez uma parada em Salvador.

Entrou num restaurante e pediu um vatapá. O garçom perguntou como ele queria o prato. Bechara respondeu: "bem quentinho", como era costume fazer-se em sua terra para determinar a temperatura da comida. Acabou tendo de engolir um bocado com muita pimenta. Foi então que as lágrimas brotaram de seus olhos.

"Aprendi na pele que "bem quentinho", na Bahia, era "bem apimentado". Por conta desse episódio e de outros que vivi quando minha família me mandou para o Rio para estudar, passei a me interessar pelas diferenças que a língua portuguesa tem em diferentes lugares. Aí virei professor, viajei, dei aulas no exterior, lancei meus livros e cheguei aqui", resume.

Bechara, 80, hoje ocupa a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 2000, e tem uma dura tarefa pela frente. A partir de 1º de janeiro, quando as regras do Novo Acordo Ortográfico entrarem em vigor em oito nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, será ele a autoridade máxima no Brasil para decidir as possíveis querelas e pendências com relação ao modo como os brasileiros terão de passar a escrever.

"Não me sinto confortável nessa posição. É muito incômodo. E é claro que a interpretação que fiz está sujeita a erros. Só não erra quem não faz", disse em entrevista à Folha, na sede da instituição, no Rio. As regras têm como objetivo unificar as diferentes grafias que o português tem nos países em que é língua oficial.

Elas começarão a ser aplicadas em janeiro de 2009, mas as atuais continuarão sendo aceitas até dezembro de 2012.

No caso brasileiro, as principais mudanças serão a eliminação de alguns acentos e do trema e a adoção de outras regras para a hifenização. "Tem gente fazendo tempestade em copo d’água. Já passamos por cinco reformas e nunca houve um grande trauma. E mais, o Brasil sempre foi quem mais cedeu até hoje. Nesta reforma, está acontecendo o contrário, os outros países, Portugal principalmente, é que estão cedendo mais", diz.

De todas as mudanças, as que regulam o uso do hífen têm causado mais polêmica. Bechara explica que a ideia, de um modo geral, foi a de "suavizar" sua utilização. "Como um homem comum, que não é um gramático nem tem formação técnica sobre a língua, pode saber, por exemplo, que uma expressão é um substantivo que em outros casos pode ter outra função? Ao tirarmos os hífens, estamos facilitando a sua vida."

Contexto

O gramático explica que o espírito das novas regras é deixar que o contexto explique aquilo que a ortografia não alcança.

É o caso, por exemplo, da contestada retirada de acento de "pára", do verbo "parar". Como diferenciá-lo da preposição "para"? "Bem, quando se diz "manifestação para avenida", fica bastante claro que se trata do verbo, porque os outros elementos na frase levam a essa dedução", diz.

O caso dos ditongos que perdem o acento, como "idéia", também causaram estranhamento. "Não é possível termos duas grafias diferentes para o mesmo tipo de formação. Por que "aldeia" não tem e "idéia", sim?" Bechara acha que a retirada do acento não vai confundir, por exemplo, crianças em processo de alfabetização. "O primeiro aprendizado de uma pessoa é sempre imitativo. Depois vem a reflexão. Quando ela for aprender a escrever, já saberá a diferença de pronúncia das duas palavras sem que seja necessário usar um sinal gráfico."

Para Bechara, a reforma ortográfica é necessária para defender a língua portuguesa. Trata-se do único idioma falado por um grupo majoritário -mais de 230 milhões de pessoas- no mundo a ter duas grafias diferentes. "É essencial que o português se apresente internacionalmente com uma única vestimenta gráfica. Para manter o prestígio e para que seja melhor ensinado e compreendido por todos", conclui.



29/12/2008

Fonte:   Jornal Folha de São Paulo (SP)

Curta nossa página nas redes sociais!

 

 

Mais produtos

Sobre nós | Política de privacidade | Contrato de Usuário | Anuncie | Fale conosco
Copyright © 2007-2017 Só Português. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Virtuous.